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Governo mantém silêncio sobre investigação do MPF que apura aglomeração de políticos em aldeia de MS

Evento promovido pelo Governo em aldeia pode ter contribuído para proliferação do coronavírus em indígenas

A denúncia ao MPF (Ministério Público Federal) em Mato Grosso do Sul, que apura uma denúncia envolvendo a cúpula do Governo Estadual, no qual promoveu um evento com indígenas no início do mês que é apontado como um facilitador do espalhamento do coronavírus na região, segue em investigação. No entanto, o Governo do Estado ainda não respondeu aos questionamentos do MPF.

A reportagem entrou em contato com a Procuradoria-Geral do MPF em MS e foi informada que a recomendação anexada foi encaminhada no início de julho, com prazo para cumprimento de 5 dias. Porém, a resposta do Governo não foi recebida pelo MPF.

Ainda de acordo com a assessoria de comunicação, o documento foi assinado em conjunto, com a DPU (Defensoria Pública da União) e a DPE (Defensoria Pública do Estado). A reportagem entrou em contato com ambas para verificar se resposta foi encaminhada.

Conforme o último boletim epidemiológico da Secretaria de Saúde da Sesau, 129 indígenas foram infectados pela doença e de 26 pessoas internadas, 16 são aldeados. A Funai (Fundação Nacional do Índio) e Sesai (Secretaria Especial de Saúde Indígena) afirmam que seguem monitorando a situação nas aldeias frente ao vírus e que o Governo Federal já teria destinado R$ 1,8 milhão para combater a proliferação do vírus nas aldeias. 

Denúncia

As entidades querem que o Ministério Público Federal apure relação entre um evento público realizado em 2 de julho na Aldeia Taunay-Ipegue e o surgimento de quase 60 casos positivos de Covid-19 entre os indígenas. Quatro deles morreram em decorrência da doença e 2 óbitos aguardam confirmação. A nota denuncia “a irresponsabilidade do poder público estadual, pelo qual criaram as condições para que o povo Terena fosse contaminado massivamente”.

Divulgada na última quarta-feira e reproduzida pelo Cimi (Conselho Indigenista Missionário), a nota cobra apurações de membros do Governo e do Poder Legislativo por assumirem o risco de contágio por coronavírus entre terenas. Na data em questão, foi assinada a obra para pavimentação da MS-442, que liga Taunay à BR-262.

A acusação é de que “membros do primeiro escalão do Governo do Estado de MS e da Assembleia Legislativa do Estado assumiram, de forma irresponsável, o risco de contágio da comunidade Terena ao promoverem a assinatura pública de uma obra de pavimentação asfáltica, que ainda não havia sequer iniciado”.

“Tratou-se de um ato eleitoreiro e embusteiro, porque se aproveitou de um direito da comunidade para sujeitá-la a maior doença que nossa geração está passando”, atacam as organizações.

Conforme noticiado pelo Jornal Midiamax, o evento foi anunciado em um momento no qual Aquidauana viu o total de infectados por Covid-19 passar de 1 para 5, contou com convite público via redes sociais para participação da população e resultou em aglomerações. A organização, conforme o prefeito Odilon Ribeiro (PSDB), coube ao Governo do Estado.

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