Assassino de Mayara Amaral é condenado a 27 anos de prisão em regime fechado

O baterista Luís Alberto Bastos Barbosa, 29 anos, foi condenado a 27 anos e 2 meses de prisão pelo assassinato da musicista Mayara Amaral, que aconteceu em julho de 2017. O julgamento, que teve réplicas e tréplicas da defesa e acusação, foi marcado por emoção da família e sentimento de alívio para quem acompanhou o caso desde o início.

“Apesar de não trazer minha filha de volta, a Justiça foi feita e ele vai pagar pelo crime que cometeu”, afirmou a mãe de Mayara, Ilda Cardoso.

O júri levou em conta as qualificadoras, entendendo que o réu agiu por motivo fútil, com recurso que dificultou a defesa da vítima, meio cruel e considerou o feminicídio. A Justiça não aceitou o exame de sanidade mental, apresentado pela defesa de Luís, e o réu responderá em regime fechado. Ele também foi condenado por furto e ocultação de cadáver. “Estamos confortáveis com o resultado do julgamento e a Justiça foi muito bem aplicada”, afirmou o Ministério Público.

Já a defesa revelou que vai recorrer da decisão e pedir a anulação do julgamento. “Meu cliente tem bons antecedentes e a pena tem a possibilidade de ser menor”, disse o advogado Conrado Passos.

Foram nove horas de julgamento. Durante seu depoimento, Luís afirmou que se lembrava apenas de ter dado uma martelada na cabeça da musicista. A defesa alega que tanto ele, quanto Mayara, estavam sob efeito de álcool e droga, quando começaram uma briga.

Conforme o advogado Conrado Passos, a briga começou porque Luís acreditava que ela teria passado uma DST (Doença Sexualmente Transmissível). “Dois drogados no motel, não deu outra, ela não tinha nada que provocar. Ele queria ir embora, e ela não deixou”. A defesa também pedia exclusão das qualificadoras e apresentou laudo de sanidade mental, que atesta Luís como semi-imputável. O que não foi acatado pela Justiça.

Já a acusação comprovou, com exames exibidos em plenário, que Mayara não tinha DST. Também afirmou que o réu agiu por motivo fútil, mas queria colocar a culpa do crime nas drogas. “Ele só falou coisas benéficas a ele para conseguir redução de pena”, afirmou a promotora do Ministério Público, Aline Lopes.

Na tréplica, Conrado se alterou com a fala da promotora do Ministério Público, Aline Lopes, que afirmou que Luís tentava comprovar insanidade, para conseguir redução de pena. “Foi feito um laudo na cabeça dele, se a psiquiatra, indicada pelo juiz, entendeu que ele era semi-imputável, então ele é”, relatou Conrado.

Descontente com a fala da acusação, Conrado afirmou aos jurados que eles estavam sendo induzidos ao erro. “Ela está tentando enganar vossas excelências, ele tem problemas mentais, quem vai dizer isso? Um técnico. Aceitaram o laudo e agora vem com uma carta na manga? Para distorcer os fatos?”, questionou.

Ele terminou afirmando que a promotora estava desempenhando papel de comentarista de laudo pericial. “Nunca vi promotor de justiça ser comentarista de laudo pericial, essa promotora, pelo o que eu tenho conhecimento, deve ter feito só uma faculdade de direito, não sei nem se passou na prova da Ordem”, terminou Conrado.

O caso

Dia 25 de julho de 2017, o corpo de Mayara Amaral, 27 anos, foi encontrado ainda em chamas. O fogo queimou parcialmente a vítima e se alastrou pelas margens da estrada na região do Inferninho, em Campo Grande, isso chamou a atenção de peões de fazendas na região que a acharam ali, vítima de mais um feminicídio. A musicista não foi a primeira, menos ainda a última, mulher assassinada de forma brutal no país.

Mayara foi morta com golpes de martelo pelo baterista Luís Alberto em um motel da Capital. Ela também teria sido esganada e teve R$ 17,3 mil em bens roubados. A defesa do acusado usou como estratégia o fato de Luís ser usuário de drogas e pediu uma avaliação de sanidade mental do rapaz, por acreditar que o crime tenha sido motivado por um distúrbio muito além de sua vontade.

Além de Luís, mais dois homens foram presos no dia seguinte ao achado do corpo, acusados de participação no assassinato, mas após investigações concluíram que o baterista agiu sozinho.

Em uma decisão do juiz responsável pelo caso, Carlos Alberto Garcete, da 1ª Vara do Tribunal do Júri, constava que Luís não teria afirmado ser totalmente incapaz de entender o caráter ilícito cometido por ele. E que durante o depoimento ele se mostrou consciente das acusações, inclusive dando detalhes do dia do crime.

Do desaparecimento, crime, depoimentos, investigações, briga por mudança na tipificação, já que por um momento o ato foi considerado como latrocínio e não como feminicídio, até esta sexta-feira, se passaram 614 dias.

A defesa do baterista solicitou um teste de sanidade mental que classificou o acusado como semi-imputável – tem capacidade de pensar limitada – que não foi levado em conta pelos jurados. O juiz ressaltou que Luis respondeu aos questionamentos se mostrando plenamente orientado.

Por Midiamax

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