Denúncia: Animais está morrendo na BR-262 em Mato Grosso do Sul e modernização é fundamental para manter ecossistema

Na noite de 9 de abril, o tamanduá foi atropelado nessa mesma BR, num trecho não duplicado que liga Campo Grande a Ribas do Rio Pardo.

No último dia 16 de abril o Projeto Bandeiras e Rodovias soltou uma nota sobre a morte de mais um dos seus 45 tamanduás-bandeira (Myrmecophaga tridactyla) monitorados. O animal havia sido batizado de “Pequi” por seguidores das mídias sociais do projeto, após uma votação em setembro do ano passado.

Pequi era um macho adulto que, como muitos da sua e de outras espécies, vivia transitando entre áreas de uso, que incluíam pastos e reservas legais de fazendas particulares e de um assentamento rural no município de Ribas do Rio Pardo, no Mato Grosso do Sul (MS). Ele usava um colar com GPS desde agosto de 2018, para que os pesquisadores pudessem monitorar seus movimentos. Concluíram que Pequi sempre atravessava a BR 262, uma rodovia bastante antiga que liga Corumbá, na divisa com a Bolívia, a Vitória (ES), em busca de áreas para alimentação e refúgio. Na noite de 9 de abril, o tamanduá foi atropelado nessa mesma BR, num trecho não duplicado que liga Campo Grande a Ribas do Rio Pardo.

“A BR 262 tem alguns pontos de travessia que foram feitos para o gado. Porém, não é uma rodovia bem preparada para evitar atropelamento de fauna, já que não tem cercas nem a quantia adequada de travessias”, informou Mário Alves, veterinário do projeto. “Não fizemos necropsia do Pequi porque quando encontramos a carcaça, ela já estava em estágio avançado de decomposição”, lamentou o veterinário. O tamanduá-bandeira é o animal ameaçado de extinção mais atropelado no Mato Grosso do Sul e a terceira espécie mais atingida, segundo dados do projeto. Em apenas 26 meses de monitoramento em três rodovias do MS foram encontradas 520 carcaças de tamanduás-bandeira e mais de 8 mil animais atropelados.

Projeto Bandeiras e Rodovias monitora a fauna atropelada como um todo e 45 tamanduás-bandeira por meio de radiotelemetria, fazendo rotas quinzenais em 1.300 km das rodovias BR 262, MS 040 e BR 267, no Mato Grosso do Sul. Através do colar com GPS, os pesquisadores coletam dados importantes sobre o padrão de movimentação dos tamanduás, visando compreender as interações entre os indivíduos e a espécie com as rodovias.

Segundo Mário Alves, Pequi não foi o primeiro animal com colar a ser atropelado. Outro tamanduá nomeado “Ben”, por exemplo, foi morto em agosto de 2018 na BR 267, vítima de colisão veicular. “Também houve animais que foram atropelados depois que tiramos o colar. Apesar de os dados de número de mortes de animais serem assustadores, é importante destacar que eles são subestimados. Tem muita carcaça que desaparece antes que nossa equipe possa registrar, além de animais que morrem fora da pista, por exemplo”, informou o veterinário. Para Alves, “o atropelamento de fauna é obviamente uma problemática muito importante para a conservação da biodiversidade, mas também para a segurança dos motoristas, pois muita gente morre aqui no Estado com colisões assim. É importante frisar que não estamos de forma alguma culpabilizando os motoristas quando debatemos o problema. O que o projeto busca é viabilizar rodovias que previnam esse tipo de acidente”.

Por Carolina Lisboa/riopardonews

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