MS é líder nacional em estupro de crianças e adolescentes

Governo cria ação para auxiliar pais, alunos e professores a identificar e denunciar crime

De janeiro até agora, Mato Grosso do Sul registro 141 crimes de violência contra crianças e adolescentes e, destes, 122 foram casos de estupro. Os índices colocam o estado na indesejável liderança no ranking nacional.

Os dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) mostram os registros feitos pela Depca (Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente) de janeiro até 10 de abril deste ano. Dos 141 crimes, foram nove tentativas de estupro, 10 violências doméstica e 122 estupros.

“É um dado alarmante”, disse o governador do MS, Reinaldo Azambuja. Hoje, o governo lançoua campanha “Maio Laranja”, que prevê uma série de atividades, palestras, audiências e ações para orientar os pais, professores, diretores e alunos sobre estes crimes.

A intenção é que por meio da conscientização, mais pessoas possam identificar e denunciar casos de abusos, através do disk denúncia (100), ou indo ao Conselho Tutelar ou Delegacia de Proteção a Criança e Adolescentes. Outra preocupação é cuidar da vítima, com apoio médico e psicológico, para ele poder seguir em frente.

“Infelizmente 85% dos casos acontece no meio familiar, e quando os mais próximos falham na proteção, o Estado precisa agir. Além disto, a pessoa que sabe dos abusos e não denuncia, também é criminosa”, disse o deputado Herculano Borges (SD), autor da lei que criou a campanha a nível estadual.

Orientação – Ele reforçou que as crianças precisam ter “noções” sobre o que é um abuso sexual, para identificar se está sendo vítima. “Por isso haverá cartilhas de orientação tanto para as crianças, adolescentes e pais, com conteúdos diferentes para ajudar na conscientização. Muitas (vítimas) acreditam que são culpadas, onde vem a depressão e até suicídio”.

A psicoanalista Viviane Vaz, que está à frente do Projeto Nova, ponderou que só 10% dos casos de abusos são denunciados, e que por isso o assunto precisa ser falado e debatido o tempo todo. “Depois deve ainda oferecer atendimento médico e psicológico, além da denúncia”.

Ela disse que existe a “síndrome do silêncio”, em que a criança não sabe falar do que ocorreu. “Além disto, o abusador não é agressivo, é uma pessoa sedutora, por isso a criança traz consigo um sentimento de culpa”, avisou.

Ação conjunta – O governador Reinaldo Azambuja (PSDB) disse que é preciso uma ação conjunta entre poder público, ongs, sociedade privada, para criar uma “teia de proteção” as crianças e adolescentes. “Assim vamos conseguir incentivar as denúncias, para coibir e punir”.

Ele ressaltou que para isto é preciso levar o debate para as escolas. “Com a conversa e entrega de material pedagógico”. A delegada Marília de Brito Martins, da DPCA (Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente), diz que são 200 ocorrência por mês na unidade, sendo oito atendimentos diários, sendo 90% deles com conotação sexual.

Agenda – A campanha terá audiência pública na próxima sexta-feira (17), na Assembleia, assim como palestras em escolas de Campo Grande, Dourados, Três Lagoas. “Vamos ouvir a sociedade e passar as demandas para os órgãos competentes”, disse Herculano Borges.

Por Campo Grande News

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