Você é extremista? Entenda o que significa o termo – e saiba se é o seu caso

Ser extremista é deixar de lado a curiosidade com a maneira de estar no mundo dos outros e a abertura para conhecê-la. Uma visão extremista é custosa de mudar porque requerer a ressignificação de uma verdade que sustentava por exclusão de outras. E, ainda por cima exige humildade para tirar a capa de rei-da-certeza diante do mundo e ir se juntar ao restante da humanidade, aprendendo e respeitando. Quando não somos extremistas, por outro lado, deixamos uma abertura para estarmos errados: mudar de ideia já estava dentro do previsto e não sai tão caro.

Provavelmente você já viu ou ouviu comentários como:

“Feministas não me representam. Enfiam crucifixos no cool. Ficam peladas. Sao peludas e nojentas.. pipipipopopo”

Comentários de pessoas que não estudaram a fundo a causa, e não compreendem que o feminismo é apenas a liberdade da mulher lutar pelos seus direitos e serem o que desejam.

Extremistas.

“Lula ladrão. Esquerdista de iPhone. Comunista de meda.. Pipipipopopo.”
Comentários de pessoas que não respeitam um posicionamento singular. Onde está escrito que para provar seu posicionamento você tem que deixar de usar algo? Tudo bem você ser comunista e usar um iPhone que comprou com o suor do seu trabalho. Tudo bem você ser de esquerda e ficar chateadx com algum comportamento do Lula ou debater livremente causas de partidos diferentes.

Para os extremistas nunca está tudo bem.

A civilização está dominada por extremismos de todo tipo, que se manifestam em contextos diversos – do universo religioso ao mundo da política, da cultura às pessoas. Os extremismos revelam que a sociedade sofre com sério desequilíbrio. Isso exige todo o empenho analítico de especialistas para que sejam alcançadas indispensáveis práticas educativas, capazes de qualificar as relações sociais e humanitárias. Afinal, não se pode justificar o radicalismo com o argumento de fidelidade a algo ou alguém, assim, perdendo a competência de enxergar para além do “próprio quadrado”.

Causas nobres, enraizadas em princípios com profunda significação, têm se transformado em dinâmicas perigosas, radicais, que comprometem a paz e a solidariedade fraterna. Quando se radicaliza as posturas, o outro que não partilha as mesmas convicções, vira adversário, verdadeiro inimigo a ser combatido. Uma situação que faz surgir o terrorismo, a violência de todo tipo, a indiferença, a busca por ideologias políticas que já perderam o sentido e as disputas mesquinhas. Em segundo plano fica a solidariedade, particularmente para com os pobres, ganhando força uma dinâmica que retarda avanços humanitários, mesmo com tantos recursos tecnológicos disponíveis.

As características comuns nesses grupos de ideias engessadas, são os problemas com liberdade de expressão a qualquer ideia que se diferencie da pregada, prejulgamento da pessoa que expõe essa ideia, criação dos estereótipos para os indivíduos pertencentes ao outro grupo, e um discurso ódio que nunca é reconhecido por quem pratica. Vimos muito isso nas últimas eleições presidenciais, quando eleitores do PT e PSDB especularam sobre a capacidade intelectual dos adversários, criaram apelidos pejorativos, e trocaram acusações sobre a autoria dos discursos de ódio.

É interessante ressaltar que os grupos que se encaixam com as características dos descritos acima, se diferenciam de movimentos políticos e sociais que realmente têm um diálogo aberto, e que com muita coerência e embasamento procuram mudar a sociedade para melhor, como o movimento feminista, o movimento negro, os grupos de esquerda, direita e centro que se abrem para o diálogo.

Acredito que os principais ingredientes que faltam para essas pessoas que caem de cabeça em grupos extremistas são a empatia (que pode ser exercitada através do diálogo, uma ótima reflexão e/ou a experiência de vivenciar a realidade do outro) e o aprofundamento teórico em bons livros e fontes neutras que se esforçaram no estudo desses problemas, independente dos resultados destas pesquisas.

A questão da fundamentação teórica mal feita é resultado principalmente da nossa fraca cultura de leitura e do déficit do sistema de ensino que não forma bons leitores, críticos e formadores de opinião. Por isso é mais fácil seguir “gurus”, que na maioria das vezes são pessoas despreparadas e sem embasamento, mas com um bom discurso que espalha senso comum e opiniões pessoais como uma verdade universal.

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