Boato sobre gatos no presídio mobiliza ativistas e autoridades em Três Lagoas; vistoria descarta maus-tratos
Nos últimos dias, um boato que ganhou grande repercussão nas redes sociais mobilizou ativistas da causa animal e chamou a atenção de autoridades em Três Lagoas. Publicações e vídeos compartilhados por moradores afirmavam que gatos que vivem nas dependências do presídio de segurança média do município estariam passando fome, após uma suposta proibição da entrada de ração no local.
A situação gerou preocupação entre protetores de animais e motivou uma mobilização pacífica em frente à unidade prisional, além de diversas manifestações nas redes sociais pedindo esclarecimentos sobre o caso.
Diante da repercussão, uma comitiva formada por autoridades e representantes da causa animal realizou uma visita técnica ao presídio para verificar a situação de perto. Participaram da vistoria o vereador Marco Silva, a secretária municipal de Meio Ambiente, Mariana Amaral, a diretora de Bem-Estar Animal Maria Fernanda, além da advogada e protetora animal Keila Sorelle.
Denúncia começou após vídeo nas redes sociais
Segundo o vereador Marco Silva, a visita foi motivada por denúncias que circularam nas redes sociais e por um vídeo que mostraria a dificuldade para entrar com um saco de ração no presídio.
“Estamos aqui no presídio de segurança média de Três Lagoas para fazer uma visita in loco, por se tratar de uma denúncia que chegou até nós através das redes sociais. Houve um vídeo falando sobre a impossibilidade de adentrar com ração no local, o que gerou uma mobilização social”, explicou o parlamentar.
A movimentação reuniu protetores e moradores preocupados com a situação dos animais, que vivem no interior da unidade prisional.
Vistoria não encontrou sinais de maus-tratos
Após a visita técnica, os participantes afirmaram que não foram constatados maus-tratos contra os animais.
De acordo com a diretora de Bem-Estar Animal, Maria Fernanda, os gatos observados durante a vistoria apresentavam boas condições de saúde.
“Conversamos com o diretor do presídio, que explicou a situação, e fizemos uma visita até onde era permitido entrar. Observamos os animais e eles estão gordos, saudáveis e com acesso à água. Esses são fatores importantes para avaliar se há maus-tratos, e não encontramos indícios disso”, afirmou.
Outro ponto esclarecido durante a vistoria foi a quantidade de animais. Diferentemente do que circulava nas redes sociais, o número de gatos não chega a cem.
“Foi constatado que existem cerca de 30 animais no local, e os que conseguimos verificar estão castrados”, acrescentou a diretora.
Protetora confirma boas condições
A advogada, protetora animal e estudante de medicina veterinária Keila Sorelle também acompanhou a vistoria e reforçou que não encontrou irregularidades.
“Na qualidade de protetora, advogada e estudante de medicina veterinária, posso ratificar o que foi dito. Os animais estão bem cuidados, não estão em situação de insalubridade e alguns dos que tive contato estão castrados”, declarou.
Mudança em protocolo gerou confusão
Segundo as autoridades presentes, o vídeo que circulou nas redes sociais é real, mas a situação ocorreu por causa de uma mudança no protocolo de recebimento de doações dentro do presídio.
De acordo com o vereador Marco Silva, a administração da unidade está organizando um novo sistema para padronizar a entrada de ração e outras doações.
A partir desse protocolo, as contribuições destinadas aos animais deverão ser recebidas e organizadas pela assistência social do presídio. Em muitos casos, os próprios responsáveis poderão recolher as doações diretamente em casas de ração da cidade, garantindo maior controle e organização.
Caso expõe força da mobilização social
Apesar de a vistoria ter descartado a ocorrência de maus-tratos, o episódio demonstrou a força da mobilização social em torno da causa animal em Três Lagoas.
Para os participantes da visita, a repercussão do caso também foi importante para que a situação fosse verificada oficialmente e para que novos protocolos fossem estabelecidos, garantindo maior transparência na gestão das doações e no cuidado com os animais que vivem na unidade prisional.
