Crise à Vista: EUA ameaçam sanções severas contra Brasil por importações de petróleo russo
Delegações russas e brasileiras durante a reunião bilateral em Moscou. Foto: Ricardo Stuckert / PR
MS, 31 de julho de 2025 – A política externa brasileira recebeu um duro alerta nesta semana durante a visita de senadores ao Congresso dos Estados Unidos. Em entrevistas e reuniões com parlamentares norte-americanos, ficou evidente que uma nova tempestade se forma no horizonte diplomático e econômico do Brasil: sanções tarifárias severas podem ser impostas pelo Congresso dos EUA caso o país continue importando petróleo e derivados da Rússia, em meio à guerra contra a Ucrânia.
Os senadores, tanto republicanos quanto democratas, que participaram de reuniões com senadores brasileiros em Washington, nos EUA, afirmaram que o Brasil pode sofrer novas sanções dos EUA devido ao comércio com a Rússia.
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Durante uma entrevista à GloboNews, um dos senadores brasileiros da comitiva ressaltou a gravidade da situação: “A tarifa de 50% imposta por Trump não é nada perto do que está por vir. O Congresso americano, de forma bipartidária, está prestes a votar uma lei que cria sanções automáticas contra todos os países que comercializam com a Rússia. Isso inclui o Brasil.”
A ameaça não parte apenas do governo dos EUA, mas sim de um consenso raro entre democratas e republicanos. Ambos os lados do espectro político sinalizaram apoio a uma legislação que impõe tarifas de até 100% sobre países que financiam a economia russa, direta ou indiretamente.
“A partir do momento em que essa lei for aprovada, não será mais uma decisão presidencial — não será mais um ato de Trump ou de outro presidente americano. Será uma sanção automática do Congresso. O Brasil precisa agir agora, ou pagará um preço alto”, alertou o parlamentar brasileiro.
Segundo dados da CNN, o Brasil triplicou suas importações da Rússia desde 2022, totalizando US$ 6,2 bilhões em 2024, com destaque para combustíveis refinados, óleos lubrificantes e derivados de petróleo. O valor supera em muito os US$ 72 milhões em compras de petróleo bruto no mesmo período. Essa escalada comercial chamou atenção da OTAN, cuja liderança já discute possíveis retaliações ao Brasil e outros países que, na visão da aliança, estariam contribuindo para o financiamento da guerra.
Durante os encontros em Washington na última terça-feira (29), os senadores brasileiros se reuniram com oito parlamentares norte-americanos — entre eles nomes influentes como Tim Kaine, Ed Markey, Chris Coons e Jeanne Shaheen, todos democratas, e Thom Tillis, republicano. Os congressistas norte-americanos foram unânimes em demonstrar preocupação com a postura do Brasil e pediram que o país crie mecanismos para rastrear a origem do petróleo importado, a fim de evitar o uso de petróleo russo.
Ed Markey chegou a declarar que o Congresso pode apresentar medidas para derrubar as tarifas impostas pelo ex-presidente Trump — consideradas prejudiciais para consumidores americanos —, mas condicionou essa flexibilização à mudança de postura do Brasil em relação à Rússia.
“Se o Brasil quiser alívio nas tarifas, precisa parar de financiar uma guerra que viola os direitos internacionais”, teria dito outro congressista, em tom firme.
A tensão cresce ainda mais com a informação de que o ex-presidente Donald Trump, agora em campanha, deu um ultimato de 10 dias à Rússia para encerrar a guerra na Ucrânia, ameaçando sanções de 100% ao país e a todos os que continuarem negociando com ela.
Diante desse cenário, o senador brasileiro reforçou a urgência de articulação: “Estamos sendo avisados com antecedência. O governo brasileiro tem cerca de 90 dias para buscar um consenso, abrir diálogo e evitar que sanções ainda mais pesadas sejam impostas.”
A diplomacia brasileira, no entanto, enfrenta críticas internas por não ter se antecipado na crise atual das tarifas de 50%, e agora precisa correr contra o tempo para evitar que uma nova onda de sanções afete drasticamente as exportações e a imagem internacional do país.
