De Ponta Porã a Corumbá: EUA incluem fronteira de MS na lista de áreas de risco máximo
Assecon Foto: Valdemir Almino
Por Redação | Atualizado em Setembro de 2026: O Governo dos Estados Unidos emitiu um duro alerta de viagem direcionado a cidadãos norte-americanos que pretendem visitar o Brasil. O Departamento de Estado dos EUA elevou para o Nível 4 (classificação máxima que recomenda “Não Viaje”) os avisos relativos às regiões localizadas em até 160 quilômetros das fronteiras terrestres brasileiras com o Paraguai e a Bolívia.
A medida impacta diretamente diversos municípios do estado de Mato Grosso do Sul, como Ponta Porã, Corumbá, Ladário, Bela Vista, Porto Murtinho e Mundo Novo. O comunicado oficial recomenda expressamente que turistas e diplomatas evitem deslocamentos para essas regiões devido ao risco elevado de ações do crime organizado e episódios graves de violência.
Principais Pontos do Alerta do Governo Americano
A recomendação oficial do governo dos EUA detalha os riscos identificados na faixa de fronteira sul-mato-grossense:
- Área coberta: Faixa de até 160 km ao longo das fronteiras do Brasil com o Paraguai e a Bolívia em Mato Grosso do Sul.
- Ameaças elencadas: Atuação de facções do crime organizado, homicídios, assaltos à mão armada, roubos de veículos e sequestros.
- Recomendações e avisos: Orientação para evitar favelas e assentamentos informais, além de alerta para o risco de bebidas adulteradas (“boa-noite, cinderela”) aplicadas após abordagens em bares ou por meio de aplicativos de encontros.
Violência Urbana e Golpes contra Estrangeiros
Segundo o relatório, os crimes violentos na região fronteiriça podem acontecer em áreas urbanas tanto durante o dia quanto no período noturno. As autoridades americanas associam o clima de insegurança à presença capilar de gangues e organizações criminosas envolvidas no tráfico transnacional de drogas e armas.
Um ponto específico destacado pelo comunicado refere-se a abordagens em locais públicos e virtuais. O documento alerta que criminosos utilizam aplicativos de relacionamento ou abordagens casuais em bares para atrair estrangeiros. Nesses contextos, vítimas são drogadas por meio de bebidas adulteradas para facilitar roubos de pertences, cartões e extorsões financeiras.
Reação dos Prefeitos de MS: Entre a Contestação e a Ponderação
A decisão de Washington provocou reações imediatas entre os gestores municipais das cidades atingidas pelo relatório em Mato Grosso do Sul.
Ponta Porã: “Exagero flagrante”
Em Ponta Porã, cidade que faz fronteira seca com a paraguaia Pedro Juan Caballero, o prefeito Eduardo Campos (PSDB) contestou veementemente a classificação do governo americano, classificando a medida como um “exagero flagrante”.
“Ponta Porã é uma cidade com uma atmosfera absolutamente tranquila. A imagem que tentam projetar não se corresponde com a realidade cotidiana do nosso município.” — Eduardo Campos, Prefeito de Ponta Porã
O prefeito afirmou que a prefeitura não adotará medidas excepcionais por conta da nota oficial dos EUA e ressaltou que a rotina do comércio e da convivência transfronteiriça com o Paraguai segue sem alterações.
Corumbá: Necessidade de Atenção sem Estigmatização
Já em Corumbá, no limite com a Bolívia, o prefeito Gabriel Alves de Oliveira (PSB) adotou um tom mais ponderado. Ele reconheceu a vulnerabilidade característica das faixas de fronteira, mas defendeu que o município não seja estigmatizado como um todo.
“É necessário separar as coisas. A fronteira, por sua própria característica, exige atenção permanente e não podemos ignorar a atuação de organizações criminosas e os delitos transnacionais que existem nesta região. No entanto, Corumbá mantém um cotidiano normal, atrai turistas e compartilha uma relação cultural e econômica histórica com a Bolívia.” — Gabriel Alves de Oliveira, Prefeito de Corumbá
O chefe do Executivo corumbaense defendeu a ampliação de investimentos em inteligência, tecnologia e atuação coordenada entre as forças de segurança municipais, estaduais e federais.
Disputa de Facções na Fronteira de Mato Grosso do Sul
O alerta emitido pelos Estados Unidos ocorre em meio a investigações sobre a disputa territorial entre as duas maiores facções criminosas do país — o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) — pelo controle das rotas do narcotráfico em Mato Grosso do Sul.
Ocorrências recentes registradas no estado evidenciam o cenário de tensão na região:
- Morte de Policial Militar: Em Corumbá, o policial militar Marcelo Pimenta da Silva, de 32 anos, foi morto em serviço durante uma operação policial. A corporação investiga se a morte está relacionada a confrontos entre grupos criminosos disputando remessas de entorpecentes vindas da Bolívia.
- Execução sob investigação: Em Maracaju, a Polícia Civil apura se o assassinato de Deborah Martines Escardin, de 32 anos, possui ligação direta com a disputa travada por facções rivais no estado.
Cenário Local e Desafios para a Região
Embora os alertas emitidos por órgãos governamentais estrangeiros resultem em restrições diplomáticas e de turismo internacional, as cidades de fronteira em Mato Grosso do Sul dependem do fluxo diário de comércio, serviços e integração sociocultural entre as populações vizinhas.
O episódio expõe o desafio enfrentado pelo estado de Mato Grosso do Sul: preservar a dinâmica econômica e a convivência harmônica das comunidades fronteiriças, enquanto combate as estruturas do crime organizado transnacional na faixa de fronteira.
Fonte primária das informações: Diario Extra.com.py (Paraguai).
