Trump Ordena que Pentágono Use Força Militar Contra Cartéis de Drogas
O presidente Donald Trump teria assinado uma diretiva secreta autorizando o Pentágono a empregar força militar contra cartéis de drogas designados como organizações terroristas estrangeiras, segundo o The New York Times. A medida, assinada em segredo, fornece uma justificativa legal para possíveis operações militares contra essas redes criminosas, acusadas de alimentar a violência e o tráfico de drogas para os Estados Unidos.
Mudança Estratégica no Combate aos Cartéis
De acordo com o Times, oficiais militares dos EUA começaram a elaborar planos para operações contra os cartéis. No entanto, ataques unilaterais podem levantar questões legais, especialmente se resultarem na morte de indivíduos que não representem ameaça iminente ou se ocorrerem fora de conflitos autorizados pelo Congresso. A diretiva representa uma mudança significativa na política dos EUA, tratando certos cartéis como entidades terroristas, sujeitas a ações militares, e não apenas como organizações criminosas.
“A principal prioridade do presidente Trump é proteger a pátria, e é por isso que ele tomou a ousada decisão de designar vários cartéis e gangues como organizações terroristas estrangeiras”, declarou a porta-voz da Casa Branca, Anna Kelly, ao The Hill. Essa designação, implementada por ações executivas no início do mandato de Trump, fornece ferramentas adicionais às autoridades para combater as atividades dos cartéis.
Tensões com o México Sobre Cooperação Militar
Trump já havia manifestado disposição para enviar tropas americanas ao México para combater cartéis, oferta reiterada em maio. Contudo, a presidente mexicana Claudia Sheinbaum Pardo rejeitou firmemente a proposta, enfatizando a soberania do país. “Podemos colaborar. Podemos trabalhar juntos. Mas vocês no seu território, e nós no nosso”, afirmou Sheinbaum, defendendo o compartilhamento de informações em vez da presença militar estrangeira em solo mexicano.
Pressão dos EUA Sobre a Liderança Venezuelana
Em um desdobramento relacionado, a procuradora-geral Pam Bondi anunciou na quinta-feira uma recompensa de US$ 50 milhões por informações que levem à prisão do presidente venezuelano Nicolás Maduro, dobrando o valor anterior de US$ 25 milhões oferecido pelos Departamentos de Justiça e Estado dos EUA. Os Estados Unidos acusam Maduro de colaborar com cartéis de drogas e gangues, incluindo o Cartel de los Soles, o Cartel de Sinaloa e o Tren de Aragua, para facilitar o tráfico de drogas e a violência direcionada aos EUA.
“Maduro usa organizações terroristas estrangeiras como Tren de Aragua, Sinaloa e Cartel de los Soles para trazer violência mortal ao nosso país”, disse Bondi em um vídeo. “Ele é um dos maiores narcotraficantes do mundo e uma ameaça à nossa segurança nacional.” O Cartel de los Soles, composto por altos funcionários venezuelanos, foi alvo de acusações em março de 2020, quando Maduro foi indiciado em um processo federal por narcoterrorismo, conspiração para importar cocaína, posse de metralhadoras e dispositivos destrutivos.
A Agência Antidrogas (DEA) apreendeu 30 toneladas de cocaína ligadas a Maduro e seus associados, segundo Bondi. Ela destacou que a cocaína, frequentemente misturada com fentanil, é a principal fonte de renda dos cartéis mexicanos e venezuelanos, resultando em milhares de mortes nos EUA. O Secretário de Estado Marco Rubio também criticou Maduro, afirmando que ele não é o líder legítimo da Venezuela após a contestada vitória eleitoral de 2024.
“Um ano após o ditador Nicolás Maduro desafiar a vontade do povo venezuelano ao se declarar vencedor sem fundamento, os Estados Unidos permanecem firmes em seu apoio à restauração da ordem democrática e da justiça na Venezuela”, declarou Rubio. “Maduro não é o presidente da Venezuela, e seu regime não é o governo legítimo.”
Acusações e Apreensões Contra Maduro
Além das acusações, o Departamento de Justiça confiscou mais de US$ 700 milhões em ativos ligados a Maduro, incluindo dois jatos particulares e nove veículos, segundo Bondi. O Departamento de Estado também acusou Maduro de participar de uma conspiração narcoterrorista com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), negociando carregamentos de cocaína, fornecendo armas de nível militar às FARC e coordenando o tráfico com traficantes em Honduras e outros países.
A diretiva de Trump e as ações contra Maduro sinalizam uma abordagem mais agressiva dos EUA no combate ao narcotráfico internacional, mas também levantam preocupações sobre as implicações legais e diplomáticas de operações militares em territórios estrangeiros.
