Entre Rios, Guerras e Trilhos: um livro sobre a História de Mato Grosso do Sul

Entre Rios, Guerras e Trilhos: A Formação Histórica de Mato Grosso do Sul tem 14 capítulos, 192 páginas — e já pode ser seu.

Entre Rios, Guerras e Trilhos: A Formação Histórica de Mato Grosso do Sul tem 14 capítulos, 192 páginas

Por Yuri Spazzapan

Há uma pergunta que me acompanha há anos, desde os primeiros roteiros desenvolvido sobre a história de Mato Grosso do Sul: por que este pedaço de chão, especificamente este, deu origem a tudo o que deu origem? Por que a guerra chegou por aqui e não por ali? Por que a ferrovia passou onde passou? Por que certas cidades nasceram exatamente no cruzamento de um rio com uma serra, e não em qualquer outro lugar do mapa?

Depois de anos pesquisando e narrando essa história — em vídeos, em reportagens, em roteiros documentais —, cheguei a uma resposta que se tornou a espinha dorsal do meu novo livro, Entre Rios, Guerras e Trilhos: A Formação Histórica de Mato Grosso do Sul: o território não é cenário. Ele é protagonista.

Uma história contada pelo chão, não pelos gabinetes

A maior parte dos livros de história regional que já li conta a história de Mato Grosso do Sul a partir de datas, de governadores, de decretos. É uma forma legítima de contar — mas não é a única, e eu sempre senti que faltava alguma coisa nela. Faltava o rio. Faltava a cheia. Faltava a distância brutal que separava Cuiabá do sul da província, e que explica, sozinha, boa parte do que aconteceu aqui.

Este livro tenta preencher essa lacuna. Ele começa não com um governador ou uma expedição, mas com a geologia: o basalto que formou a terra roxa fértil do planalto, o vulcanismo de 130 milhões de anos atrás, a depressão que deu origem ao Pantanal. A partir daí, percorre 14 capítulos e cerca de quinhentos anos, mostrando como essa base física — os rios, a Serra de Maracaju, as cheias, as distâncias — determinou cada capítulo seguinte da nossa história: quem conseguia chegar até aqui, quem sobrevivia à viagem, por onde a guerra avançava, para onde o poder se deslocava quando a ferrovia substituiu o rio como eixo de circulação.

O que o livro percorre

Entre Rios, Guerras e Trilhos atravessa a ocupação indígena do território — tratada não como pré-história da colonização, mas como sistema territorial complexo e sofisticado, construído por Guarani, Kaiowá, Terena, Kadiwéu, Guató e outros povos muito antes de qualquer europeu pisar aqui. Segue pelas monções que cruzavam o território rumo às minas de Cuiabá, pela Guerra do Paraguai — que atingiu o sul de Mato Grosso com uma violência que a historiografia nacional costuma tratar como nota de rodapé, mas que aqui foi evento fundador —, pela exploração da erva-mate pela Companhia Matte Larangeira, pela chegada da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil e pelo nascimento de Campo Grande.

Chega até a Marcha para o Oeste de Vargas, a criação do estado em 1977, a revolução da soja no cerrado, a chegada da indústria de celulose em Três Lagoas — minha cidade — e os conflitos fundiários que ainda hoje marcam o sul do estado. Termina com um epílogo que retorna ao Rio Paraguai, o mesmo rio que abre o primeiro capítulo, como lembrete de que o território segue ali, indiferente a tudo o que os ciclos históricos humanos construíram e destruíram sobre ele.

Mato Grosso do Sul é um estado jovem — foi criado em 1977 — construído sobre um território muito mais antigo, com camadas de história que a maioria de nós atravessa todos os dias sem perceber. O nome de um rio que dizemos sem saber que é guarani. As ruínas de um forte na margem do Paraguai. Uma linha de trem coberta de mato que um dia fez nascer a cidade onde moramos. Um tereré compartilhado numa calçada, herança direta de povos que viviam aqui há milênios.

Acredito que entender essas camadas — de onde elas vêm, o que custaram, quem elas beneficiaram e quem elas esmagaram — é a única forma de entender de verdade o lugar onde vivemos. Não como celebração ingênua, não como denúncia panfletária, mas como o que a história de verdade sempre é: complicada, contraditória, e absolutamente necessária de contar direito.

Espero que este livro ajude você a olhar para os rios, as estradas e as cidades de Mato Grosso do Sul com outros olhos — sabendo que cada um deles carrega, por baixo do asfalto e do concreto, uma história que começou muito antes de nós e que vai continuar depois.


Já está à venda

Entre Rios, Guerras e Trilhos: A História de Mato Grosso do Sul tem 14 capítulos, 192 páginas — e já pode ser seu.

Pra garantir o seu exemplar, é só chamar no WhatsApp: (67) 99267-0262. Yuri Spazzapan

Anúncio