A primeira ligação telefônica de Campo Grande? Relíquia de 1914 reaparece em página rara do Álbum Gráfico de 1938
Álbum Gráfico de Campo Grande – Parte II, publicado em 1938 pelo jornalista Benedito Leitão
Entre as preciosidades preservadas no Álbum Gráfico de Campo Grande – Parte II, publicado em 1938 pelo jornalista Benedito Leitão, uma página chama atenção por registrar aquilo que foi apresentado como a “1ª Ligação Telefônica em Campo Grande”. O documento, hoje preservado em acervos históricos sul-mato-grossenses, revela um momento curioso da vida social da então pequena cidade que começava a se modernizar.
A fotografia mostra dezenas de pessoas reunidas em um piquenique nas pedreiras do coronel Manoel Joaquim de Morais. A legenda original informa que a cena ocorreu em 1914, mais de duas décadas antes da publicação do álbum.
Segundo o texto impresso na página:
“No primeiro plano, falando ao ‘telefone de capa de garrafas’, vêem-se o sr. Miguel Martins e o Cel. Eduardo dos Santos Pereira…”
A descrição ainda identifica os personagens como figuras conhecidas da sociedade campo-grandense e participantes das festividades carnavalescas promovidas pelo antigo Club dos Fidalgos, uma das agremiações sociais mais tradicionais da época.
Uma cidade em transformação
Em 1914, Campo Grande ainda era uma jovem vila em crescimento. A chegada da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil havia acelerado o desenvolvimento econômico e a integração da região com os grandes centros do país. Nesse contexto, qualquer novidade ligada às comunicações era vista como símbolo de progresso.
A manchete do álbum sugere que aquela teria sido a primeira ligação telefônica realizada na cidade. Entretanto, os próprios pesquisadores observam que a publicação não apresenta detalhes técnicos suficientes para comprovar historicamente a afirmação. O curioso termo “telefone de capa de garrafas” também gera dúvidas sobre a natureza exata da demonstração registrada na fotografia.
Ainda assim, a imagem possui enorme valor documental por demonstrar como a população local enxergava a modernidade no início do século XX.
Mais do que uma fotografia
O registro não é apenas uma lembrança tecnológica. Ele oferece um raro retrato da elite social campo-grandense em um momento de lazer, reunindo homens, mulheres e crianças em meio à vegetação que cercava as antigas pedreiras da cidade.
A composição revela costumes, vestimentas e formas de sociabilidade de uma Campo Grande que ainda possuía características rurais, mas já buscava se apresentar como um centro urbano em ascensão.
Décadas depois, quando o Álbum Gráfico foi lançado, os organizadores escolheram destacar justamente essa cena como um dos símbolos do avanço da cidade, demonstrando o orgulho que os campo-grandenses tinham de sua trajetória de desenvolvimento.
Um documento que preserva a memória
Hoje, páginas como essa ajudam historiadores a reconstruir episódios pouco conhecidos do cotidiano da antiga Campo Grande. Mais do que confirmar ou não a primeira ligação telefônica da cidade, a fotografia registra o fascínio de uma geração diante das novas tecnologias e da chegada da modernidade ao sul do então Mato Grosso.
É justamente esse tipo de detalhe que transforma o Álbum Gráfico de Campo Grande de 1938 em uma das fontes históricas mais valiosas para compreender a formação da capital sul-mato-grossense.
Legenda sugerida para publicação:
Fotografia publicada no Álbum Gráfico de Campo Grande (1938) mostra um piquenique realizado em 1914 e registra o que a obra apresentou como a primeira ligação telefônica da cidade. A imagem é uma das mais curiosas relíquias da memória campo-grandense.

