O Café Rio Branco, a primeira mercearia de Três Lagoas

tlcafe-riobraco-1913

Nos anos iniciais, Três Lagoas era uma típica vila fronteiriça, caracterizada por uma economia baseada na agropecuária, no comércio incipiente e na extração de recursos naturais como madeira.

A população, composta por brasileiros de estados vizinhos, indígenas remanescentes e imigrantes estrangeiros, vivia em condições precárias, com ruas de terra batida, casas de adobe ou madeira e uma infraestrutura mínima. A chegada de famílias imigrantes, especialmente de origem libanesa e síria, foi fundamental para o desenvolvimento comercial da cidade. Esses grupos, trouxeram consigo tradições mercantis e uma rede de contatos que impulsionaram o comércio local. Entre essas famílias, destacava-se a Zaguir, de descendência libanesa, que se estabeleceu na região por volta do começo da década de 1910 e desempenhou um papel pioneiro na estruturação do varejo urbano.

O Café Rio Branco, fundado pela família Zaguir, representa um ícone desse período inicial. Considerado a primeira mercearia da cidade, o estabelecimento funcionava como um ponto multifuncional: não apenas uma loja de gêneros alimentícios, café e bebidas, mas também um centro social onde moradores se reuniam para trocar notícias, negociar produtos e fortalecer laços comunitários.

Localizado na área central de Três Lagoas, o Café Rio Branco atendia às necessidades de uma população em crescimento, fornecendo itens essenciais. A família Zaguir, liderada por patriarcas empreendedores, expandiu seus negócios ao longo das décadas.

A imagem em questão, datada de 1913, oferece um vislumbre vívido desse cenário inicial. Nela, um grupo de indivíduos – homens, mulheres e crianças – posa em frente ao edifício do Café Rio Branco, uma construção simples de madeira com telhado de telhas coloniais e fachada pintada, exibindo o nome do estabelecimento em letras maiúsculas.

Vestidos com roupas típicas da época, como ternos escuros, chapéus e vestidos longos, os retratados refletem a diversidade social da vila: pioneiros locais, trabalhadores rurais e membros da família Zaguir, possivelmente reunidos para uma comemoração ou registro cotidiano.

O chão de terra e o fundo rural sublinham o caráter incipiente da urbanização, contrastando com o papel vital do comércio como âncora de progresso. Essa fotografia, preservada como um artefato histórico, ilustra não apenas o empreendedorismo imigrante, mas também a resiliência de uma comunidade que, a partir de humildes começos, evoluiu para um polo industrial e energético

Anúncio