O Mato Grosso no Censo de 1950: O Retrato de um Estado Antes da Divisão e o Peso dos Municípios que Hoje Formam Mato Grosso do Sul
Rua 14 de Julho Campo Grande, década de 1920
Em julho de 1950, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) realizou o Censo Demográfico que capturou um retrato precioso da configuração populacional do Estado de Mato Grosso, ainda unificado. O levantamento apontou um total de 528.451 habitantes em todo o território mato-grossense, que na época abrangia também as terras que, décadas depois, formariam o atual estado de Mato Grosso do Sul.
Esse recorte do Censo de 1950 mostra como os municípios que hoje integram o Mato Grosso do Sul já despontavam em relevância populacional e estratégica dentro do antigo estado unificado. Destacavam-se cidades como Campo Grande, que já se afirmava como um dos centros urbanos mais populosos, registrando 39.813 habitantes, além de Corumbá, com 30.915 habitantes, e Dourados, com 23.019 habitantes — todas desempenhando papéis centrais no desenvolvimento econômico, social e político da região.
Outros municípios que também compõem o atual Mato Grosso do Sul aparecem com destaque no levantamento populacional:
- Ponta Porã: 20.627 habitantes
- Três Lagoas: 19.003 habitantes
- Aquidauana: 21.450 habitantes
- Paranaíba: 22.711 habitantes
- Coxim: 8.619 habitantes
- Porto Murtinho: 8.441 habitantes
- Miranda: 7.885 habitantes
- Rio Brilhante: 8.895 habitantes
- Bela Vista: 16.585 habitantes
- Bonito: 4.551 habitantes
- Nioaque: 6.822 habitantes
- Ribas do Rio Pardo: 3.620 habitantes
- Rochedo: 3.966 habitantes
- São Antônio do Leverger (hoje parte do MT, mas com relações históricas com a fronteira sul): 17.901 habitantes
Esse panorama evidencia que o sul de Mato Grosso já apresentava um dinamismo econômico e populacional bastante significativo, especialmente em cidades que se beneficiavam da agropecuária, da exploração mineral e da posição estratégica na fronteira com o Paraguai e a Bolívia.
A expressiva presença populacional e a vocação econômica diferenciada do sul mato-grossense alimentaram, por décadas, o desejo separatista que culminaria em 1977, quando o governo federal sancionou a criação do estado de Mato Grosso do Sul, oficialmente instalado em 1979. O argumento era claro: o sul do estado, mais próximo do eixo Sudeste e Centro-Oeste do país, clamava por uma administração autônoma capaz de atender suas especificidades de infraestrutura, produção e desenvolvimento regional.
Portanto, o Censo de 1950 não apenas registra números, mas conta a história de um território prestes a redefinir suas fronteiras políticas e administrativas. Ele revela um Mato Grosso unificado onde o Sul já pulsava com força própria, prenunciando a necessidade de uma divisão que atendesse aos anseios de progresso e autonomia de sua população.
Hoje, ao revisitar esses dados, percebemos que as sementes do Mato Grosso do Sul já estavam firmemente plantadas nas estatísticas demográficas e na pujança dos seus municípios — sementes que germinaram no formato de um estado próspero e em constante crescimento.

