Os 10 destinos turísticos imperdíveis de Mato Grosso do Sul — do Pantanal às fronteiras do mundo
Pantanal sul-mato-grossense - Foto Flávio André Mtur
De águas cristalinas a safáris fotográficos, de cidades históricas a praias de água doce — Mato Grosso do Sul é um dos estados mais surpreendentes do Brasil para quem quer fazer turismo. Conheça os 10 destinos que você precisa visitar pelo menos uma vez na vida
Quando o assunto é turismo no Centro-Oeste brasileiro, Mato Grosso do Sul guarda algumas das paisagens mais impressionantes do país — e boa parte delas ainda é desconhecida para os próprios brasileiros. Com o Pantanal, o maior ecossistema inundável do planeta, e Bonito, eleito o melhor destino de ecoturismo do Brasil, o estado é um convite permanente para quem quer sair da rotina e se conectar com a natureza.
Mas MS vai muito além dessas duas estrelas. Há cidades históricas às margens do Rio Paraguai, serras com cachoeiras de água cristalina, fronteiras que misturam duas culturas num só lugar e praias de água doce às margens do Rio Paraná.
Esta é a lista dos 10 destinos turísticos imperdíveis de Mato Grosso do Sul — organizados para você planejar a viagem dos sonhos pelo estado.
- BONITO — A Capital do Ecoturismo
Não tem como começar por outro lugar. Bonito é, de longe, o destino mais famoso de Mato Grosso do Sul — e com razão. Com mais de 80 passeios diferentes catalogados, a cidade de apenas 20 mil habitantes recebe turistas do mundo inteiro em busca de uma experiência natural que não existe em nenhum outro lugar do Brasil.
O grande protagonista de Bonito são as águas. Os rios da região têm uma transparência impressionante, causada pelo alto teor de calcário no solo que filtra naturalmente as partículas em suspensão. Mergulhar no Rio da Prata, nadar ao lado de cardumes de dourados e pacu no Rio Sucuri, ou explorar as lagoas subterrâneas da Gruta do Lago Azul são experiências que ficam na memória para sempre.
Para os aventureiros, há o Abismo Anhumas — uma caverna inundada acessível apenas por rapel de 72 metros. O lago no fundo tem o tamanho de um campo de futebol e esconde uma floresta de estalactites submersas. É considerado um dos passeios mais exclusivos do Brasil.
Dica prática: Reserve pelo menos 3 dias para Bonito. Os passeios precisam ser agendados com antecedência, especialmente na alta temporada (julho e dezembro-janeiro).
Distância de Três Lagoas: 433 km pela BR-262 e MS-382.
- PANTANAL — O Maior Ecossistema Inundável do Mundo
65% do Pantanal está em Mato Grosso do Sul — o que significa que o estado é o melhor ponto de entrada para a maior planície alagável do planeta, protegida pela UNESCO e lar de uma biodiversidade que impressiona qualquer visitante.
No Pantanal sul-mato-grossense, é possível ver jacarés, capivaras, onças-pintadas, tuiuiús e mais de 650 espécies de pássaros em habitat natural. Os safáris fotográficos nas fazendas às margens do Rio Negro e do Aquidauana são a melhor forma de vivenciar a riqueza animal da região. Passeios de barco ao amanhecer, quando as aves começam a se movimentar e a névoa sobe do rio, estão entre as experiências mais marcantes que o Brasil tem a oferecer.
O Pantanal tem duas estações bem distintas: a cheia (dezembro a março), quando a planície fica inundada e o barco é o principal meio de transporte; e a seca (junho a outubro), quando os animais se concentram em torno dos espelhos d’água e a observação de fauna é mais fácil.
Dica prática: Para entrar no Pantanal, use como base as cidades de Miranda, Aquidauana ou Corumbá. Há opções para todos os bolsos, de acampamentos simples a pousadas de luxo.
Distância de Três Lagoas: 393 km até Miranda pela BR-262.
- CAMPO GRANDE — A Porta de Entrada do MS
A capital do estado é muito mais do que um aeroporto de passagem. Campo Grande tem uma personalidade única — cidade grande com jeito de interior, ruas largas e arborizadas, e uma gastronomia que mistura sabores pantaneiros, japoneses, árabes e paraguaios num só lugar.
O Bioparque Pantanal, inaugurado em 2021, é hoje o maior aquário de água doce do mundo. Com mais de 40 aquários e espécies da fauna pantaneira, é uma atração obrigatória — especialmente para famílias com crianças.
O Parque das Nações Indígenas é um dos maiores parques urbanos da América Latina e um convite ao descanso no meio da cidade. O Mercadão Municipal, com suas bancas de hortifrutigranjeiros operadas por famílias de descendentes japoneses há décadas, é onde a história e a gastronomia da cidade se encontram.
E para comer: o sobá — macarrão japonês de Okinawa adaptado ao gosto pantaneiro — é patrimônio imaterial da cidade e pode ser encontrado em dezenas de restaurantes especializados.
Dica prática: O Aeroporto Internacional de Campo Grande (CGR) é a principal entrada para o estado, com voos de São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e outras capitais.
- CORUMBÁ — A Capital do Pantanal
A cidade mais antiga e maior de Mato Grosso do Sul fica na fronteira com a Bolívia, às margens do Rio Paraguai, e é considerada a porta de entrada para o Pantanal boliviano e para o coração da planície sul-americana.
Corumbá tem uma história rica que remonta a 1778 — é possível passear pelo casario colonial do século XIX no Porto Geral, embarcar em cruzeiros pelo Rio Paraguai e visitar museus que contam a história da Guerra do Paraguai, que devastou a região no século XIX.
A cidade também é conhecida pelo Festival Internacional do Pantanal (Pantanal Festival) e pela Festa do Nossa Senhora da Candelária, a padroeira da cidade, que reúne milhares de fiéis e turistas todos os anos.
Dica prática: Corumbá é ponto de partida para passeios de barco de vários dias pelo Rio Paraguai — uma das experiências mais autênticas que o Pantanal oferece.
Distância de Três Lagoas: 697 km pela BR-262.
- BODOQUENA — As Cachoeiras Que Ninguém Conhece
Localizada a apenas 70 km de Bonito, a pequena Bodoquena (7 mil habitantes) é dona de alguns dos atrativos mais impressionantes da Serra da Bodoquena — e muitos turistas nem sabem que estão em outro município quando os visitam.
A Cachoeira Boca da Onça é a maior cachoeira de Mato Grosso do Sul, com 156 metros de altura. O acesso é feito por trilha de 8 km, que passa por mais 7 cachoeiras menores — um trekking completo em meio à mata atlântica de cerrado. O Rio Azul, com água de cor turquesa intensa e vegetação subaquática deslumbrante, é outro atrativo que não costuma estar nos roteiros tradicionais.
Dica prática: Os passeios de Bodoquena podem ser combinados com a hospedagem em Bonito. Reserve 1 dia completo para a trilha da Boca da Onça.
- JARDIM — O Vizinho Escondido de Bonito
A 50 km de Bonito, Jardim guarda atrações que muitas vezes são “vendidas” como passeios de Bonito — mas que merecem ser conhecidas pelo que são.
O Rio Formoso, o Balneário Municipal de Jardim e a Cachoeira das Três Barras estão entre os passeios mais procurados da região. Para quem gosta de aventura, as Termas de Jardim oferecem piscinas de água quente naturais em meio ao cerrado — uma experiência diferente do ecoturismo de águas cristalinas vizinho.
Dica prática: Jardim é uma alternativa mais acessível a Bonito em termos de preços de hospedagem, com a vantagem de estar a poucos quilômetros dos principais atrativos.
- AQUIDAUANA — O Pantanal com Vista para a Serra
A 140 km de Campo Grande, Aquidauana é uma das cidades mais bonitas de Mato Grosso do Sul — e das menos visitadas por quem não conhece o estado a fundo.
A cidade fica entre a Serra de Maracaju e o Pantanal, o que cria uma paisagem única: morros, rios, planícies e horizontes infinitos num só lugar. O Morro do Paxixi oferece uma das vistas panorâmicas mais impressionantes do estado. A Igreja Matriz da Imaculada Conceição, construída em 1912 em estilo gótico com vitrais originais, é um dos monumentos históricos mais bem preservados de MS.
Para os amantes de pesca, Aquidauana é destino obrigatório: o Rio Aquidauana é um dos mais ricos em dourado, pacu e pintado de todo o Pantanal.
Dica prática: Aquidauana funciona como base para acessar fazendas pantaneiras da Nhecolândia — região do Pantanal Sul com paisagem única de lagoas salinas e campos abertos.
- MIRANDA — O Portal do Pantanal
A menor cidade da lista tem um dos maiores charmes: Miranda é o ponto de passagem obrigatório para quem entra no Pantanal pelo sul, e tem uma história marcada pela Guerra do Paraguai — o Forte Miranda, construído em 1797, é um dos marcos históricos mais antigos do estado.
A cidade é famosa também pelo Trem do Pantanal, passeio de trem histórico que percorre o trecho entre Campo Grande e Miranda ao longo da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil — a mesma ferrovia que deu origem a Três Lagoas. A paisagem ao longo do trecho é um espetáculo de cerrado e início de planície pantaneira.
Dica prática: Miranda é base ideal para visitar a Fazenda San Francisco e o Projeto Caiman — dois dos melhores destinos de ecoturismo com observação de onças-pintadas do mundo.
- PONTA PORÃ — A Fronteira Mais Curiosa do Brasil
Na fronteira com o Paraguai, Ponta Porã e Pedro Juan Caballero são duas cidades de dois países separadas apenas por uma rua. Não há controle de fronteira para quem atravessa a pé — você simplesmente atravessa a avenida e está em outro país.
Para os turistas, isso significa uma mistura cultural fascinante e preços paraguaios para compras de eletrônicos, perfumes e alimentos. A Avenida Internacional, que divide os dois países, é palco de um comércio intenso e de uma convivência bilíngue única na América do Sul.
Dica prática: Os finais de semana em Ponta Porã são especialmente movimentados pelo turismo de compras. Leve passaporte ou RG para eventuais abordagens.
Distância de Três Lagoas: 488 km pela BR-262 e MS-164.
- TRÊS LAGOAS — O Bolsão que Merece Estar no Mapa
Seria impossível falar de turismo em MS sem incluir a nossa cidade. Três Lagoas não é apenas a segunda maior cidade do estado — é um destino turístico em crescimento que tem muito a oferecer.
As três lagoas que deram nome à cidade — Lagoa Maior, Lagoa Menor e Lagoa do Meio — formam o coração do lazer três-lagoense, com balneário, parque e orla urbanizada. O Parque Estadual das Várzeas do Rio Ivinhema, na região sul, é um santuário natural com trilhas e observação de aves. A Usina de Jupiá, com sua barragem imponente sobre o Rio Paraná, é uma das maiores obras de engenharia do Centro-Oeste.
Para quem vem de fora, Três Lagoas é também a porta de entrada para o Bolsão sul-mato-grossense — região rica em história, com a memória da ferrovia, das olarias, dos sertanistas que abriram esse território no século XIX.
Dica prática: O melhor período para visitar Três Lagoas é entre maio e setembro, quando o clima é mais ameno e as lagoas estão em boas condições para banho.
DICAS GERAIS PARA VISITAR MATO GROSSO DO SUL:
🌡️ Clima: Tropical semiúmido — verões quentes e chuvosos (dezembro a março) e invernos secos e amenos (junho a setembro). O inverno é a melhor época para o Pantanal e Bonito.
✈️ Como chegar: O Aeroporto Internacional de Campo Grande (CGR) é o principal hub do estado, com voos diretos de São Paulo, Rio, Brasília e Cuiabá. Três Lagoas tem aeroporto regional com conexões.
🚗 Transporte: A maioria dos destinos exige carro próprio ou alugado. As distâncias entre cidades são longas — planeje bem o roteiro antes de sair.
🍽️ Gastronomia: Não saia de MS sem experimentar o sobá (Campo Grande), o pintado na telha (Corumbá e Miranda), o tereré gelado (em qualquer lugar do estado) e a sopa paraguaia (não é sopa — é um bolo salgado de inspiração paraguaia).
